Um dia você amava o que fazia. A empresa, a área, o projeto que te tirava da cama animado. Hoje é obrigação, peso, um de novo isso antes mesmo de começar. Perder a paixão pelo que se faz é desconcertante justamente porque parece que você mudou, e para pior. Mas, na maioria das vezes que acompanhei isso de perto, não era o fim de nada, era um sinal de que algo maior estava pedindo atenção.

Antes de seguir, um cuidado. Perder o prazer apenas no trabalho é uma coisa. Perder o prazer em tudo, no trabalho, nas pessoas, nas coisas que antes te faziam bem, acompanhado de desânimo persistente, alteração de sono e apetite, é outra, e pode ser um sinal de depressão. Se for esse o caso, procure um médico ou psicólogo, sem adiar. Em caso de pensamentos de que não vale a pena continuar, ligue para o CVV no 188. O que descrevo abaixo é sobre a paixão pelo trabalho, e não substitui avaliação clínica quando ela é necessária.

Por que a paixão some

A paixão pelo trabalho raramente evapora de uma vez. Ela costuma ser soterrada, aos poucos, por camadas de rotina, cobrança e repetição. Existem causas comuns: você se acostumou (a mesma conquista que empolgava virou o esperado), você parou de crescer ali (sem desafio, o cérebro desliga o entusiasmo), os seus valores mudaram e o trabalho não acompanhou, ou, muito frequente, você está exausto, e a exaustão se disfarça de desamor. Cansaço profundo faz parecer que você não gosta mais, quando na verdade você só não aguenta mais nesse ritmo.

Paixão perdida nem sempre significa trocar de carreira

Aqui mora o erro mais caro: tratar a falta de paixão como ordem imediata de largar tudo e recomeçar. Às vezes é o jeito, não a coisa: o mesmo trabalho, feito de outra forma, com outro limite ou outro papel, reacende. Às vezes é fase: um período de travessia que pede paciência, não ruptura. E às vezes, sim, é hora de virar a página, mas essa é uma conclusão a que se chega com calma, depois de investigar, e não uma decisão a se tomar no primeiro domingo à noite de desânimo.

O que fazer com o desânimo

Onde a mentoria entra

Perder a paixão é um dos momentos em que mais vale ter alguém de fora ajudando a enxergar o que, de dentro, está embaçado. No trabalho de mentoria de alta performance, a tarefa é separar o que é exaustão do que é desalinhamento real, reconectar você com o sentido que ficou soterrado e, se for mesmo hora de mudar, construir essa mudança com clareza em vez de decidir no cansaço. Nem todo desânimo pede uma nova carreira. Alguns pedem uma nova relação com a que você já tem.

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